Matérias - A Evolução do Discurso da Propaganda Automobilística Brasileira

A Evolução do Discurso da Propaganda Automobilística Brasileira

"As características mais marcantes da propaganda automobilística em cada década"




Seria impossível classificar todas as propagandas de uma mesma década em um único estilo, mas em linhas gerais o discurso da propaganda automobilística evoluiu dentro das seguintes características mais marcantes em cada década:





Décadas de 20 e 30 - Existe o Automóvel
As montadoras fazem anúncios que apresentam as marcas e os modelos, em algumas situações até mesmo explicando que existe a possibilidade de um veículo se auto mover. Não só a publicidade automobilística como toda a propaganda em geral buscava sua própria identidade. O discurso até então era puramente técnico.



Década de 40 - Segunda Guerra Mundial
Na primeira metade da década as montadoras - ocupadas em atender à demanda bélica - deixam de atender à demanda dos consumidores. Os anúncios são institucionais e se restringem a propagar mensagens de que a guerra é necessária, justa e que um futuro de paz e glória estaria por vir. Já após o término da guerra, as montadoras voltam a anunciar seus produtos. A presença americana é maciça.



Década de 50 - O Sonho "Americano"
Na primeira metade da década continua a dominância de modelos importados dos Estados Unidos, principalmente os Ford e GM. O discurso da propaganda é bastante característico do sonho americano, evidenciando o luxo e o status. Tal qual nas décadas anteriores, desenhos e ilustrações prevalecem. Na segunda metade da década,com as restrições às importações,  a publicidade já evidencia e enaltece os primeiros passos de uma indústria automobilística nacional.



Década de 60 - "Made in Brazil"
O grande sentimento nacionalista e progressista toma conta da propaganda automobilística brasileira, que se encarrega de apresentar com orgulho os tão aguardados veículos "made in Brazil". Os modelos baseados nos produtos da montadoras européias de mostram mais adequados para a realidade de nosso país, com destaque para o sedan Volkswagen. O discurso é menos ingênuo e as ilustrações dão lugar à fotografia. Durante o período militar, a propaganda automobilística se mostra alheia aos acontecimentos políticos. Willys, DKW, Simca e posteriormente a FNM vão dando o adeus. Os comerciais ganham importância devido ao início popularização da televisão. Os anúncios mais característicos são os da Volkswagen, que aliam simplicidade ao bom humor.



Década de 70 - Renovação e Crise do Petróleo
Na primeira metade da década o fato mais marcante da publicidade automobilística é anunciar os novos modelos de uma segunda geração de automóveis fabricados no Brasil. Apesar de baseados em modelos europeus, são projetos genuinamente brasileiros, mais adequados à nossa necessidade. Na segunda metade da década surge a Fiat como uma quarta montadora a disputar o mercado nacional. Em paralelo, a crise do petróleo trás para a publicidade a necessidade de um discurso mais voltado para a economia de combustível.



Década de 80 - Carros Mundiais, Crise Econômica e Séries Especiais
No início da década, a publicidade usa de todos os recursos visuais e tecnológicos para anunciar os modernos lançamentos automobilísticos, alinhados à indústria européia: Monza, Escort, Santana e Uno. Nos anúncios, criatividade é forte e a imagem se sobressai ao texto. Na segunda metade da década, com a crise econômica e baixas vendas, o mercado deixa de ser abastecido por novidades, cabendo à publicidade anunciar apenas derivações de modelos, reestilizações, novas motorizações. Nesse período de poucas novidades as séries especiais aparecem como um recurso para trazer algo de "diferenciado", na verdade apenas variações sobre o mesmo tema.



Década de 90 - Abertura e Estabilização Econômica
Com a abertura das importações, a publicidade é encarregada de apresentar ao consumidor brasileiro uma enxurrada de novas marcas e novos modelos, inclusive com novas montadoras construindo fábricas no Brasil posteriormente. Nesse ambiente, as montadoras nacionais reforçam os valores da fidelidade, do relacionamento, da confiança e da referência. Com a estabilização econômica trazida pelo plano Real, um novo tipo de discurso se consolida: o Varejo. Se antes, com a inflação galopante, só se era possível anunciar em jornais (que têm periodicidade diária) propagandas com o preço descrito, agora esse recurso também pode ser utilizado em comerciais de TV e em propagandas de revista.  



Década de 2000 - Varejo e Economia Aquecida
O Brasil, assim como outros países emergentes, se vê em uma realidade inédita de economia forte e aquecida. O discurso de Varejo ganha força, se consolida e até se sobressai ao discurso de lançamento. As concessionárias se valem muito desse recurso. A ordem é vender. O excesso de lançamentos, de marcas, de modelos, de versões, de motorizações traz uma tendência de saturação e um certo esgotamento da criatividade publicitária, com muitas idéias repetidas. Assim como em outros ramos da publicidade, na propaganda automobilística os recursos gráficos se sobressaem à criatividade. As séries especiais deixam de ter a função de diferenciação e personalização e viram um instrumento a serviço do Varejo.